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O código de ERAS

Uma questão que naturalmente emerge quando se lê Despertar, o primeiro livro da série ERAS, é se se trata de uma analogia, de uma metáfora. Estes estilos literários - ou retóricos - já foram úteis à Humanidade num passado distante. Milênios, séculos atrás, quando se queria ensinar algo aos adultos, as narrativas alegóricas eram utilizadas. Exemplos disto são as parábolas bíblicas e as histórias sufis: eram aproximações da realidade que tinham o objetivo de facilitar o entendimento da instrução, dado o baixo grau evolutivo de nossa espécie naquelas eras. O mesmo estratagema é usado ainda hoje com crianças na verde infância, quando contamos uma historinha simples com uma frase no final - a "moral" da história - que sintetiza o ensinamento. 

A Humanidade já atingiu um ponto evolutivo em que não temos mais necessidade desses ardis, desses subterfúgios. Podemos falar aberta e claramente que seremos compreendidos. Nossas percepções de realidade podem ser expressas sem a cobertura de um véu. Obviamente estas percepções podem não ser aceitas, mas serão entendidas. Eu procurei deixar isto claro no prefácio do livro, quando afirmei que as assertivas e ensinamentos são verdadeiros e que não há o uso de meias-palavras em nenhum tema. Os fatos, personagens e situações são reais - algumas eu as vivenciei pessoalmente. 

Neste contexto de justaposição com a realidade, tive de codificar alguns aspectos do livro - principalmente os nomes e denominações. Os lugares onde os fatos aconteceram foram simplesmente trocados. Goha-Iose, por exemplo, existe e está no Brasil; no livro este centro espiritual é fundado em Baía Negra, no Paraguai. Esta mudança não prejudica o objetivo da trama, já que a história de Goha-Iose é a mesma de todas as seitas, doutrinas e religiões de nossa época. Usei alguns anagramas simples para homenagear algumas pessoas que me são caras - como Doris Lessing e Rudolf Steiner, por exemplo, que se transformaram nos personagens Sirod Sglisen e Ludrof Reinets da página 23. Outros personagens, mais ativos na história, requereram uma codificação mais elaborada para que não fossem identificados e tivessem suas privacidades violadas.

Creio que as analogias e metáforas, hoje, nos confundem e nos mantém ignorantes da realidade. Paradoxalmente tenho observado o uso intensivo de ambas, principalmente na retórica dos que deveriam nos guiar. Ou existe um gigantesco não-saber o que dizer, ou um monstruoso não-querer falar a verdade.