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Sexualidade e discriminação

A opção sexual é desimportante

Não há sentido em haver tantos conflitos e discriminação em relação a algo que não é importante. Qual a diferença que faz se alguém escolhe fazer sexo com homens ou com mulheres? Uma simples análise racional e lógica nos leva à resposta: nenhuma.

 

Quando lemos um artigo numa revista – uma Veja ou uma Época, por exemplo –, e gostamos, faz diferença se o autor ou o entrevistado optou por ter relações sexuais com homem, com mulher ou com ambos? Daremos mais créditos ou deixaremos de ver a qualidade do que está escrito após sabermos de sua escolha?

 

Quando assistimos a um filme, lemos um livro, admiramos uma pintura ou ouvimos uma música, sempre sem saber antecipadamente quem foi o diretor, o autor, o compositor ou o intérprete – e gostamos daquela obra – seria racional dizer que mudaríamos nossa opinião após saber das escolhas sexuais do criador ou da criadora?

 

Parece óbvio que não, não mudaríamos nossa opinião apenas porque o autor é heterossexual, homossexual, bissexual ou assexuado.

 

Não existe relação entre a escolha sexual e crimes sexuais

Não falo aqui dos desvios de sexualidade que derivam para crimes. A heterossexualidade radical que leva a um estupro, por exemplo. Ou à homossexualidade doentia que leva à pedofilia. Todos estes crimes relacionados com sexualidade devem ser apartados da opção sexual de cada pessoa. Não existe relação entre uma atitude criminosa e uma escolha de vida.

 

Se os argumentos relatados até aqui parecem sensatos e lógicos, por que nossa sociedade discrimina e separa com tanta violência quem opta por algo diferente do tradicional relacionamento homem-mais-velho-com-mulher-mais-nova?

 

O comportamento politicamente correto é patético e nefasto

A humanidade está num momento de grande hipocrisia e confusão em diversos temas – sexualidade no topo da lista. Está na moda o comportamento do politicamente correto. Quando alguém expressa sua aceitação e solidariedade com homossexuais, por exemplo, existe uma voz oculta que diz: “Mas na minha família, NÃO! Aceito, dou força, mas meu filho, minha filha, NUNCA!”. A grande maioria das manifestações de apoio às pessoas que têm opção sexual diferente da heterossexual é falsa e vazia, e esconde uma personalidade homofóbica e discriminadora.

 

A personalidade moldada por anos de vivência tem dificuldade em aceitar um corpo de outra polaridade

Para entender melhor por que existem – e sempre existiram, apenas hoje estão mais expostas – escolhas sexuais diversas, temos que entender como acontece a vida material neste planeta Terra. Esqueça os conceitos cristãos de céu, inferno e ressurreição; esqueça os ensinamentos budistas e espíritas de reencarnação do espírito e carma; esqueça...; esqueça e esvazie seu cofre-forte cheio de crenças e dogmas.

 

A personalidade (ou ego) humana no mundo material é o conjunto dos corpos físico, emocional e mental. Quando morremos, o corpo físico acaba: é enterrado, apodrece ou é queimado. Restam os corpos emocional e mental, ainda unidos e livres de um veículo material, e existindo num mundo imaterial, não-físico. A partir desse momento, uma personalidade evoluída segue um caminho evolutivo. Um ego pouco desenvolvido – a maioria da Humanidade – escolhe retornar ao mundo material, que é onde seus desejos por comida, sexo, drogas, bebidas, poder, fama e dinheiro podem ser satisfeitos. E este retorno se dá através de um bebê que está em gestação, com um novo nascimento físico, infância, adolescência e fase adulta. Como a personalidade não está evoluída o suficiente, não há possibilidade de escolha: qualquer bebê serve, pois o importante é voltar. A personalidade não tem condições de escolher se o bebê será menino ou menina. Acontecem, desta forma, muitas incorporações de corpos mentais-emocionais que tiveram uma existência anterior masculina, em bebês que serão meninas. E, no caso oposto, egos femininos incorporando em corpos masculinos.

 

Este conhecimento nos leva a pensar que, enquanto não houver um crescimento evolutivo, existirão estas dificuldades da personalidade: uma mente e um emocional femininos num corpo masculino, e vice-versa. Um conflito interno a que a sociedade – leia-se pais e mães – não consegue entender e, por consequência, aceitar.

 

A evolução acontece da mesma forma num corpo masculino quanto num feminino

Falando do ponto de vista da evolução do ser, não existe problema algum em habitar um corpo de outra polaridade. A pessoa consegue evoluir tanto num corpo feminino quanto num masculino. O conflito interno é que não pode existir e persistir – senão o ser adoece. Este é o motivo pelo qual muitos avaliam as diferentes opções sexuais como doença, dizendo, por exemplo, que um homossexual pode ser “curado”. Este é um dos picos da ignorância dos tempos em que vivemos. Desconfie quando ouvir alguém falando isto e afaste-se desta pessoa.

 

A essência de cada ser – a consciência – não tem sexo

O conflito interno só existe porque a família e os amigos não aceitam aquela pessoa diferente. Se um menino tem trejeitos femininos ele é discriminado desde a infância, em casa, no colégio. Se uma menina tem comportamento masculino, idem. A menina ou o menino nesta situação começam a acreditar que estão errados e que jamais serão aceitos. Sentem-se culpados por não satisfazer às expectativas do pai e da mãe; culpados por serem como são; culpados por não seguirem no caminho que gostariam; culpados por entristecerem aos que os cercam.

 

Não há sentido nesta culpa, pois a essência do ser não tem polaridade e pode evoluir em qualquer corpo. A culpa é uma escolha que pode ser mudada a qualquer momento.

 

A elite social, política, militar, cultural e intelectual lidera a hipocrisia das nações

A grande hipocrisia da Humanidade é justamente a de saber que as diferentes escolhas sexuais existem e viver como se não. Esta ilusão de se viver num mundo “heterossexual normal” acoberta os crimes ligados à sexualidade, dificulta o discernimento das pessoas e perpetua a impunidade. É sabido que nos ambientes tipicamente masculinos – as forças armadas de um país, por exemplo – sempre existiu o relacionamento sexual entre os militares. Acobertar esta realidade deu abertura para que os estupros acontecessem quando as mulheres começaram a prestar serviço militar. Acontece o mesmo em conventos, mosteiros e igrejas: o relacionamento sexual entre padres, monges, freiras etc., que gerou séculos de estupros, gestações, abortos e abuso de menores nos ambientes religiosos. Este comportamento se repete nos meios intelectualizados: filósofos, pensadores e escritores cultuam sem cessar os Gregos – Platão, Sócrates, Aristóteles, por exemplo. Citar Platão num jantar entre amigos sempre pega muito bem, mesmo que tenhamos decorado apenas aquela única citação.

 

Mas esta mesma elite que usa esta obsoleta referência grega para embasar nossos conceitos atuais de civilização, democracia, moral e ética habilmente esconde que no ambiente masculino onde eram realizados os Diálogos também eram planejados os encontros sexuais; e que esta tendência homossexual radical gerou a prática da pedofilia, quando os mestres seduziam seus jovens discípulos – e justificavam tudo isto no seu doutrinário filosófico, inclusive criando figuras sociais que lhes convinham, caso do erasta (o adulto) e o erômeno (a criança/adolescente). Os incensados mestres gregos foram pedófilos que abusavam dos meninos que estavam lá para aprender; só não abusavam de meninas porque a elas não era permitida a instrução – outra discriminação nefasta. Sim, os banquetes dedicados à filosofia tinham o objetivo final do sexo com menores. Esta é a fonte em que muitos intelectuais da atualidade bebem.

 

A escolha sexual não define a pessoa

Uma escolha sexual é apenas isto: a pessoa escolhe que quer fazer sexo com um homem, com uma mulher ou com ambos – sempre de forma consentida, sem abusos. A pessoa não fica melhor ou pior de acordo com esta escolha, portanto, não se trata de uma escolha relevante. O sexo é apenas uma atividade que gera prazer e possibilita a procriação – nada mais. Como todo o prazer material, ele é temporário, não pode ser experimentado continuamente e exaure a pessoa. É muito similar ao que sentimos ao nos alimentar: a comida gera prazer e possibilita a sobrevivência; não podemos comer o tempo todo e chegamos à exaustão por comer demais. Sexo e comida são atividades básicas da vida material. Os gatos, cachorros e pássaros – o reino animal, enfim – agem da mesma forma. Apenas sexo e comida. A Humanidade não pode e não deve definir seus membros por funções básicas como sexo e comida.

 

Não exponha sua escolha sexual em demasia

A exposição exagerada da sexualidade mostra um ser desequilibrado emocional e mentalmente. Vemos isto acontecer nos radicalismos da homo e da heterossexualidade. Um homem heterossexual com a namorada idem, em local público, exibindo-se com longos beijos e afagos nas áreas erógenas, denota duas personalidades desequilibradas. Dois homens homossexuais, ou duas mulheres idem, na mesma situação descrita, o mesmo diagnóstico: desequilíbrio. Todas as situações anteriores são patéticas aos olhos de quem é testemunha – apenas a primeira é mais aceita e tolerada atualmente – mas nem por isto deixa de ser de mau gosto. O mais adequado é que guardemos estas atitudes para um ambiente privado, sem plateia.

 

A plateia é o falso substituto de quem realmente não aceita a sua escolha sexual

A grande dor de quem não tem sua opção sexual respeitada é a de estar desgostando o pai ou a mãe. A dificuldade em abordar este assunto entre os pais e um filho ou uma filha é gigantesca e, muitas vezes, intransponível. As exposições públicas de sexualidade – em passeatas, praças, feiras, mídia etc. – visam aquele pai ou aquela mãe.

 

Não conviva com uma pessoa que não aceita a sua escolha sexual

Viver constantemente em estado de culpa gera desequilíbrio emocional e mental. Resolva esta pendência no relacionamento diretamente com seu pai ou com sua mãe. Participar de movimentos, ONGs e manifestações não irá resolver, nem no âmbito familiar, nem no da sociedade. A sociedade apenas evolui quando seus membros evoluem. Se você conseguir aceitação e respeito no pequeno universo pai-mãe-filho(a), a sociedade terá dado um grande passo, maior do que a aprovação de qualquer lei. Este processo de recuperação do relacionamento se dá pelo entendimento de tudo que falamos até aqui e pelo cancelamento das mágoas e culpas infligidas mutuamente. As mágoas e culpas são resolvidas com o perdão incondicional para ambas as partes.

 

Se esta recuperação não for possível, deixe seu pai e sua mãe para trás e siga seu caminho, com suas próprias escolhas. Eles não são imprescindíveis na sua trajetória.

 

Imprescindível é evoluir.